sábado, 8 de março de 2014

TERCEIRA ESTAÇÂO

Jesus cai pela primeira vez
Terceira estação

 Na cena da Via Crucis de Nosso Senhor de hoje, vemos ele que perde suas forças e energias, que cai sob o peso da Cruz! Sua humanidade grita de dor! Ela geme o seu padecimento. Mesmo assim ele não abandona seu propósito. Não desfaz seu compromisso. Não desiste de ir adiante, rumo a um destino tão difícil. Mantem-se obediente ao Pai.
 Sente-se fraco, rejeitado, humilhado. Mas mesmo esmagado pelo madeiro, com o rosto prostrado, vê ocasião de esforço, dedicação e fidelidade. Vê ocasião de amor. Com a cara por terra, ora ao Pai. Não é uma suposição, visto que Cristo não se abstinha de orar ao Pai, com certeza o fez também durante o pesado caminho.
 Mas esta primeira queda não foi seu fim, pelo contrário; reúne forças e levanta. Com coragem, convicção e determinação. Prossegue com o plano do Pai.
Da onde Cristo tira forças? Do Pai. Assim também nós em nossas quedas devemos nos alimentar da força e a graça de Deus e levantar. Ter consciência que o tombo não é o fim.

Pedro G. Moreira

sexta-feira, 7 de março de 2014

SEGUNDA ESTAÇÃO

                                                                  
              Jesus carrega a cruz
                       Foto de Pedro Gustavo Moreira.

 Jesus tem sobre si o peso do Mundo. Como era pesada essa cruz! Mesmo assim com coragem e transbordante de amor foi até o fim e concretizou o plano do Pai, ao qual era muito prestativo. Não paralisou-se ante o medo, mesmo tendo sentido terrível angústia, que havia sofrido horas antes no Monte do Getsêmani,, não se absteve de prosseguir com o projeto de seu amado Pai.
 Tem consciência do porquê que aceitou fazer o que faz. Sabe da grande e pesada responsabilidade que tem nas costas: a salvação daqueles que tanto amou e amou com liberdade. Agora vê-se privado desta liberdade que ele mesmo nos doou. 

 Ele que se dispõe de livre e espontânea vontade a carregar por nós a cruz, foi humilhado, ultrajado, cuspido, mesmo assim nos amou até o fim; era só o que podia fazer: nos amar mesmo com o coração dilacerado. 

quinta-feira, 6 de março de 2014





" Liguei a minha vida à cruz de Cristo."  S. Caetano

A partir de hoje publicaremos diariamente a VIA SACRA, cada dia um seminarista fará a reflexão referente à estação. Acompanhe e reflita conosco essa devoção tão importante e interessante, sobretudo neste tempo da Quaresma.

                        

PRIMEIRA ESTAÇÃO



                           

                                     JESUS É CONDENADO À MORTE

 A via-sacra ou caminho da cruz é o trajeto seguido por Jesus carregando a cruz ao Calvário. O exercício da via-sacra, como também é chamado, a caminhada de Jesus a carregar a Cruz,  meditação da Paixão do Senhor Jesus.
 Esta reflexão é baseada na primeira estação ou etapa, em que cada uma apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo: A Primeira Estação: Jesus é condenado à morte, João (19, 14-16). Tudo se realizou pela plena liberdade de Jesus diante de práticas de sua vida, sendo que se cumpriu o que ele mesmo anunciava: sua prisão, julgamento,  condenação, crucifixão , morte e ressurreição.  
 Era véspera da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Aqui está o vosso rei” Eles começaram a gritar: “Fora! Fora! Crucifica-o” Pilatos perguntou: “Mas eu vou crucificar o vosso rei?” Os chefes dos sacerdotes responderam: “Não temos outro rei além de César.” Então, finalmente, Pilatos entregou Jesus a eles para que fosse crucificado. Eles levaram Jesus.
 A morte de Jesus é uma decisão voluntaria; ele dá sua via livremente o Pai não quer a morte do Filho, mas aceita sua oferta livre e responsável pela salvação do mundo. Sua entrega é recompensada com a vida plena na Ressurreição. Ser cristão é estar em comunhão com todo o povo de Deus trabalhado por um mundo melhor. 

Ederson de Oliveira

Renovai, Renovando-se.

imagem do livro "Philosofia Divina", de Frei João Batista Carioni da Crema


   Seria impossível falar dos Teatinos sem falar deste tema tão profundo e tão marcante na historia dos Clérigos Regulares.  Renovai renovando-se, já ouvimos falar muito essa pequena frase, já se refletiu muito, e também já escrevemos muito sobre isso. Lendo um pouco mais Os Teatinos, no capítulo 2, na formação espiritual de São Caetano, vemos uma figura muito marcante na história dos Teatinos, Frei João Batista Carioni, o dominicano, um homem que faz parte da história dos Clérigos Regulares e que tanto admiro.  Carioni teve enorme influência na vida espiritual de São Caetano, como confessor. Carioni sempre orientava Caetano sobre as dificuldades do estado espiritual da humanidade, em especial de todas as pessoas, onde se necessitava de uma reforma de espirito. E Frei Batista vendo tão precariedade neste lado espiritual começa então iniciar uma reforma na espiritualidade cristã. Onde cada ser precisa conhecer-se interiormente.

   Carioni é um grande exemplo e inspiração para qualquer pessoa que busca uma renovação interior, que anseia pela reforma de si.  Vendo toda a sujeira naquela época, onde Lutero cheio de pomba querendo reformar a Igreja através do barulho, da movimentação e da agitação, Caetano faz ao contrário, inverte a cena, e começa a reforma de si, conhecendo-se, vendo as suas fragilidades, sua humanidade, o seu ego.
Onde essa frase começa a ganhar grande força. Caetano vê que deu certo o silêncio em si, e ajuda a sua comunidade a seguir esse exemplo de renovar-se. Conhecer-se.

 Lendo ainda Os Teatinos, Carioni é chamado de Mestre da energia espiritual.  E sem dúvidas Frei Carioni, é influência viva para a fundação dos Clérigos Regulares e sua espiritualidade. 

Sem. Christian Macedo

quarta-feira, 5 de março de 2014

Campanha da Fraternidade 2014


   Queridos amigos e amigas que nos acompanham por meio deste meio de comunicação, “renovai renovando-se”!

   Hoje vamos dar início à reflexão sobre um assunto que vai nos acompanhar ao longo dessas próximas quatro semanas da quaresma e, por consequência, permanecer em nossa realidade. Refiro-me aqui sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2014: Fraternidade e Tráfico Humano. Além do seu lema: “é para liberdade que Cristo nos libertou” Gálatas 5,1.

   Tendo como base o trabalho realizado pelos Padres Ari A. Reis e Luiz Carlos Dias, começaremos hoje falando sobre três pontos para entendermos o que é e para que serve a Campanha da Fraternidade (CF):

   Primeiro: precisamos entender que a CF é um “momento de diálogo com a sociedade com foco da justiça social e da superação do pecado social”. Sendo assim entendemos que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), responsável por esta campanha, quer conversar conosco, nos mostrar um problema que assola a nossa sociedade, nos fazendo entender o que esta acontecendo e, juntos encontrar meios de solucionar e acabar com esta injustiça. Como já falado antes, este ano nos é apresentado à questão do tráfico humano, que iremos nos aprofundar mais adiante.

   Segundo: A CF “leva para a sociedade uma perspectiva de vivencia evangélica comprometida”, ou seja, quando nos preocupamos com os problemas, que geralmente ferem a dignidade do ser humano, estamos nos preocupando em acabar com um ato que desrespeita os ensinamentos de Deus dados através de Jesus o Cristo, que nos foi passado através dos Evangelhos. Sendo assim, estamos vivendo de forma comprometida aquilo que a Palavra de Deus nos ensina.

   Terceiro: Quando entendemos tudo isso percebemos que a CF “deve gerar a conversão – mudança de mentalidade e de vida”; afinal de contas não podemos permanecer mais de “braços cruzados” diante dos erros, crimes, injustiças, desigualdades, que estão ao nosso redor. Quando temos consciência daquilo que acontece cada um de nós possui a obrigação de agir em prol do amor, da paz e da justiça neste mundo, e isso não pode ser algo de um dia, uma semana ou apenas uma quaresma, mas sim uma renovação constante em nossas vidas. Buscando “a liberdade para qual Cristo nos libertou”.

   Finalizando esta primeira reflexão, percebemos que a CF é uma maneira que a Igreja Católica no Brasil encontrou para conscientizar a todos nós e, assim, nos fazer comprometidos com o combate às injustiças e pecados cometidos em nosso meio, nos tornando verdadeiros evangelizadores da nossa sociedade.


Sem. Michael Rocha

Quarta-Feira de Cinzas


   A quarta-feira de Cinzas na Igreja Católica é um momento especial porque nos introduz precisamente no mistério quaresmal. Neste dia inicia-se o tempo litúrgico que chamamos de Quaresma. Momento relevante para que todo cristão se prepare dignamente para viver o Mistério Pascal do Senhor Jesus: Paixão, Morte e Ressurreição.Com a imposição das cinzas somos interpelados pelo convite: “convertei-vos e credes na Boa Nova de Cristo Jesus”. Durante quarenta dias os cristãos fazem seu exame de consciência e tornam-se mais semelhante ao coração de Jesus.  Tempo forte que se caracteriza pela mensagem bíblica e pela conversão.

   Neste contexto litúrgico quaresmal a Igreja nos convida a se voltar para os pobres e excluídos, cada cristão é chamado à prática da esmola, da oração e do jejum.A quarta-feira de Cinzas leva-nos a visualizar a Quaresma, exatamente para que busquemos a conversão e busquemos o Senhor. Ela nos insere dentro do mistério místico de Cristo.É um tempo de muita conversão, de muita oração, de arrependimento, tempo de voltarmos para Deus.

   A imposição das cinzas serve de lembrete a todos nós: “Lembra-te que do pó viestes e ao pó, hás de retornar.” A cinza quer demonstrar justamente isso; viemos do pó, viemos da cinza e voltaremos para lá, mas, precisamos estar com os nossos corações preparados, com a nossa alma preparada para Deus.

   Enfim, para que este ano ao celebrarmos a quarta-feira de cinzas e todo o período quaresmal possamos chegar à páscoa renascidos, mortos para o pecado e regenerados em Cristo. Que este período seja propício para renovação das promessas batismais e assumamos de verdade a missão a nós confiada por Cristo no dia do batismo, e finalmente, conscientes que as coisas deste mundo são passageiras, procuremos viver agora em diante a firme esperança no futuro e a plenitude do céu.

Sem. Ederson de Oliveira

terça-feira, 4 de março de 2014

A QUARESMA NA PERSPECTIVA TEATINA

                       

   O tempo da Quaresma é compreendido pela Igreja como um itinerário que se percorre rumo a algo maior: a Crucificação e Ressurreição de Cristo. Este caminho remonta-nos também aos 40 anos que o povo hebreu passou no deserto rumo à Terra prometida.
   Este tempo também nos remonta aos 40 dias que Cristo ficou no deserto jejuando. Quando sente-se tentado Jesus se vale da Palavra de Deus, que é também alimento e fortaleza espiritual: “não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (MT 4,4). Esta foi a força e defesa de Cristo que se encontrava na sua “quaresma” (provação no deserto). Ora, os primeiros teatinos sempre levaram para o seu cotidiano este exemplo, visto que, liam os evangelhos durante as refeições, prática que estava para além do tempo da quaresma. Assim, alimentados pela Palavra, teriam forças para por em prática o projeto suscitado no coração de Caetano pelo mesmo Espírito (Santo) que impeliu Jesus ao deserto. Sob este prisma percebemos que as práticas teatinas primitivas se identificam em muito com a vivência deste tempo litúrgico.
    Vemos características exemplares de tais modos de agir lendo Antonio B. Veny: “O Espírito dos teatinos desenhava uma silhueta de contornos bem definidos, que os distinguia entre todos por seu amor ao recolhimento, sua atitude assentada, seu ar de indiferença pelos interesses caducos, e uma coroa de doce otimismo, próprio de quem vive confiado sob a tutela amorosa da Providência de Deus” ( San Cayetano de Thiene, p. 309).  Entenda-se este ‘otimismo’ como algo de esperançoso, sem desânimo. Se voltarmos para um dos sentidos deste tempo, que é o itinerário dos hebreus no deserto, constatamos a sua condição em que estavam totalmente à mercê da Providência do Pai, assim como os teatinos, que se colocaram em tal condição por desejo próprio.
    Sobre as práticas quaresmais e àquelas que dizem respeito à vida teatina vemos claro esta correlação nesta explicação das atitudes na Quaresma:“Por isso se exige empenho evangélico e coerência de vida, traduzida em boas obras, em formas de renúncia àquilo que é supérfluo e de luxo, em manifestações de solidariedade com os sofredores e os necessitados”. (CONTIERI, Carlos Alberto, comentários bíblicos). Tudo isto foi  buscado de modo incessante pelo ser teatino e que se concretizou na vida dos santos, beatos e veneráveis clérigos regulares. E que também hoje deve concretizar-se na nossa vivência cotidiana. 

                                                                                             Pedro G. Moreira

Beato Paulo Burali D’ Arezzo: Exemplo de Serviço,Amigo da Verdade e Pai dos pobres.

   Com o nome de Batismo Scipione, nasceu em Itri, Diocese  de Gaetre  em 1511. Tendo  como pais,  Paulo e Victória Oliveres, teve também quatro irmãos, sendo Paulo o segundo e o primeiro João Batista, mais tarde Abade de Santo Erasmo, em Itri. Devido as lutas entre Guelfos e Gibelinos, a família Burali de Provenza transferiu-se para Toscana, depois Florência e finalmente a Parma e Arezzo. Ocorreu no ano de 1268.
   Paulo na sua infância, era um menino piedoso , com uma inclinação  particular de amor e solidão, mas possuía um caráter doce e amável no trato e no diálogo com os demais. Dedicava-se a oração, frequentava os sacramentos, assistia com frequência ao sacrifício eucarístico na Igreja de Santa Maria da Misericórdia. Destaca-se também  na infância de Paulo, que ele possuía um amor aos pobres e a seu pedido o pai teve sempre a dispensa aberta para um pedaço de pão e um copo de vinho para eles.
   Paulo foi advogado e exercia sua profissão com muita lealdade e sempre fazia a justiça acontecer na sociedade em que vivia, surge aí o carinhoso título de “amigo da verdade”. Sempre estava ao lado dos pobres e viúvas que na época eram muito injustiçados. Tinha como diretor espiritual o Pe João Marinoni( hoje Beato) que no meu ver incentivou ainda mais Paulo a viver a serviço da  caridade.
   Com o passar  do tempo ingressou na Ordem Teatina, no qual vivia com fé seus votos religiosos; A pobreza era verdadeiramente edificante, ele mesmo cuidava  de suas roupas velhas e gastadas e costurava seus sapatos rasgados. O Beato sempre gostava de ficar um tempo só, pois, manifestava sempre o desejo de estar sempre em oração com Deus.
   Como sacerdote  Burali, sempre se dedicava na administração dos sacramentos, que constituía e ainda constituí parte essencial  do apostolado teatino, como instrumento eficaz para a reforma dos costumes. O Beato conservava também o espírito de disponibilidade, paciência e possuía também uma  admirável caridade, sempre estava preocupado com os pobres. Como Prepósito, distinguiu-se pela exemplaridade, pelo cuidado da disciplina religiosa e, sobretudo,pela caridade, afeto e apego á Congregação. Sempre  estava disponível em ajudar os religiosos em suas tarefas e se alegrava pelo crescimento humano e espiritual de cada um.
   Exemplo foi também como Bispo de Piaccenza e mais tarde Cardeal, sempre esteve disponível em servir os mais pobres e conservava no coração e nas suas vestes  a pobreza e a simplicidade, dom este que possuía já desde criança. Possuindo também uma grande mente intelectual, promoveu várias reformas na sua diocese que, quando tomara posse a encontrou abandonada, um verdadeiro caos.  Foi muito criticado pelas pessoas, pois, como era inteligente, dedicava-se seu tempo em servir os pobres e não , segundo algumas pessoas que o criticavam,  em dedicar-se coisas que exigia o  seu status.

   Existem vários testemunhos de serviço, oração  e dedicação com a Igreja, ea  sua Liturgia e em especial com os pobres, que dava o amado Beato. Que possamos também, a começar por mim, a refletirmos nossa caminhada Teatina, Burali durante sua vida, colocou seus dons com alegria e sua admirável caridade,  a serviço da Ordem  Teatina e  do povo de Deus. Que possamos também colocarmos a serviço os nossos dons, com alegria.
Sem. Renan Felipe

segunda-feira, 3 de março de 2014

Símbolos dos Teatinos


1 - A Cruz desnuda
A santa Cruz, venerada na ordem Teatina deste de sua fundação, assumiu na nossa espiritualidade um lugar de destaque tão grande que passou a nos identificar, se posso atreve-me; aquilo com o qual nos identificávamos como cristãos passou a ser nossa identidade. Assim pois um teatino é aquele que sabe ver a Cruz, assim como nossos fundadores, não como sinal de morte e sofrimento, mas como sinal de mudança,símbolo de uma fé que busca nas dificuldades do dia a dia a luta que garante a salvação e a gloria de Deus que nos criou, que nos ama e nos quer junto de si.

Para melhor expressar melhor seu significado transcrevo:
“Não existem dias tão solenes e significativos como o do nascimento de nossa Companhia. A decisão de funda-la foi tomada na festa da Invenção da Santa Cruz, e procurou-se fazer coincidir sua feliz realização com o dia da gloriosa Exaltação da Cruz. A Cruz acolheu em seu regaço a nossa Companhia apenas nascida, e era justo que nascesse em tão gloriosa data uma companhia que professava pobreza absoluta como a de Cristo na Cruz, que pregava a mortificação da Cruz, e que parecia tornar descobrir e a exaltar a Cruz, a reinstaurar a austera forma de vida apostólica em uma nova família clerical. Por isso, estas duas celebrações da Cruz foram simples objeto de especial veneração entre nós, que nunca desejemos ser condecorados com outro brasão ou insígnia que não fosse a Cruz. Este é o distintivo oficial de nossa congregação; esta é a insígnia de nossas casas e de nossos templos, de nossas alfaias sagradas e domesticas de modo que os Clérigos Regulares podem ser chamados de Religiosos da Cruz, como eram chamados os antigos cristãos, como afirma Tertuliano”.

Uma expressão que muito bem sintetiza essa espiritualidade enraizada na Cruz de Cristo foi elaborada pelo espanhol Pe. Jerônimo de La Lama, quando no dia da profissão dos primeiros teatinos,ao final da Santa Missa celebrada no altar de Santo André, o cerimoniário da Basílica de São Pedro fez vir a Cruz processional que conduziria nossos fundadores até o altar da confissão na mesma referida Basílica:
“Desta maneira vieram no dia da Santa Cruz, atrás da Santa Cruz, para abraçar o caminho da Cruz” (in die sanctae Crucis, post Crucem, ad amplexandam viam Crucis).

Nosso pai fundador, São Caetano, sabiamente disse quando de sua ordenação presbiteral: “Torna-se sacerdote é ligar minha vida à Cruz de Cristo”! Essa expressão nos demonstra claramente qual é a espiritualidade sacerdotal de nosso pai e nos aponta o caminho para qual deveria estar orientado nosso coração e nossas forças: fazer-se um com Cristo crucificado!
Apresento o desenvolvimento deste emblema para os teatinos dos primeiros séculos:
Século XVI – a cruz se torna símbolo de todos os reformadores;
1533 – Pe. Caetano é designado para a fundação da casa em Nápoles e aos pés da Cruz implora a Deus um companheiro que soubesse crucificar sua vontade, o que lhe é enviado o Pe. João Marinoni ;
Dom João Pedro Carafa escreve que foi decidido que nenhum emblema secular fosse posto nas igrejas teatinas a não ser a Cruz sobre o trimonte;
1536 – o trimonte encimado pela cruz desnuda já aparecem nos documentos;
1549 – carimbo de madeira usado por Santo André Avelino para lacrar cartas oficiais da Ordem;
1562 – Dom Paulo Burali D’Arezzo escreve para o capitulo que havia proibido colocarem brasões particulares na Igreja de São Silvestre no Quirinal porque não era costume da Ordem;
1570 – Pe. João Marinoni impede que seja colocadas outros emblemas em São Paulo Maior que não fosse a Cruz,
1573 – A cruz sobre um trimonte heráldico é esculpido nas portas da Casa de São Silvestre no Quirinal de Roma;
1578 – Dom Marcelo Maiorana chegou à sua diocese de Cotrone a pé e carregando uma grande cruz até a cadetral
Século XVII – o emblema teatino é esculpido nas laterais da Basílica de Santo André Della Valle;
1609 – a Primeira Historia dos  Clérigos Regulares, o autor João Batista Del Tufo traz como símbolo a cruz sobre o trimonte e a coroa de espinhos;
1628 – o símbolo teatino vem estampado nos comentários ás Constituições do Pe. Carlos Pellegrino;
1680 – na fachada da Igreja de São Caetano em Florença  junto ao brasão teatino foram postas as figuras de duas mulheres, uma simboliza a pobreza e a outra a confiança em Deus;
Na primeira metade do século XVIII é esculpido o emblema teatino na Igreja de São Caetano em Vicenza com o acréscimo da inscrição “INRI” e com a coroa de espinhos, tendo a seguinte exortação: “Reparaste o estandarte do universo, emblema dos Clérigos Regulares”.

2 - A Cruz na espiritualidade de nosso pai São Caetano
Para nosso fundador a cruz é um verdadeiro convite a uma mudança de vida e a uma profunda configuração com o Cristo que nela se deixou pregar por amor a nós e apara nossa salvação. São Caetano acreditava que militando sob a Cruz de Cristo se poderia vencer toda má inclinação, toda imperfeição, sem tréguas nem descanso, progredir sempre para Deus. Aos que se apresentava para ingressarem na Ordem ele exortava:
“Aqui só existem os que procuram o Cristo Crucificado”.
“Aqui vivemos congregados sob o jugo da Cruz”.
Nas frases acima citadas, São Caetano não quer dizer aos que chegam  que a vida é sofrimento e desalento, amargura e tristeza, mas sim que a vida sob a Cruz é de luta que leva a vitoria, morte que leva a ressurreição, esperança que nos une a Cristo.
Novamente transcrevo aqui algumas linhas da obra “Teatinos” que expressão muito bem a espiritualidade de nosso fundador:
“Para Caetano, a Cruz é o principio de toda reforma, é a sementeira de toda colheita, é o lugar de toda renovação e a condição de toda ressurreição”.
“Para os teatinos a Cruz é a estrutura interna que mantém toda atividade e irradiação do sacerdote reformado. O seguimento de Cristo é para os teatinos, a imitação do Cristo crucificado, e esta coincide para eles com a vida religiosa”.
Um trecho da carta de nosso cofundador Bonifacio De’Colli expressa bem o sentimento dos quatro primeiros teatinos e os requisitos para quem pretendia se unir a eles:
“Aprenderá através da experiência de cada dia, qual é o sentido e a força da palavra do Senhor que diz: Aquele que deseja vir atrás de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua Cruz e me siga, entretanto pela porta estrita e caminhando pelo pranto da penitência até chegar às praias de uma caridade sem fim”!
O retorno ao Evangelho é sempre um retorno à Cruz e os grandes reformadores sempre foram homens da Cruz. Para os teatinos era programa da reforma interior, pela qual se deve começar infalivelmente, até a da igreja. O caminho para a reforma do ser e da Igreja é um só: a Cruz!
Muito se diz que sempre um santo guia outro santo, assim sendo, nosso pai Caetano se deixava conduzir pelos escrito de um padre do deserto chamado João Cassiano e do qual se acredita ter extraído de suas “Colações” uma síntese espiritual e que mais tarde toda a Ordem assumiu para si: a Cruz, a perfeição evangélica e a confiança na providência.

3 – O trimonte
Ainda em nosso emblema se encontra sob a Cruz três montes os quais podemos atribuir diversos significados:
- a Santíssima Trindade;
-os votos que caracterizam a maioria dos institutos religiosos: pobreza, castidade e obediência;
-os três sustentáculos da vida religiosa: a palavra de Deus, os Sacramentos e a devoção à Virgem Maria;
Mas aqui, quero me ater a um simbolismo que um sacerdote, Pe. João Maria de Cortesis contemporâneo dos primeiros teatinos intuiu na vida daquela comunidade de homens profundamente ligados à Cruz:
a)- O desprendimento: viver desapegado de tudo e todos, possuir como se nada tivesse, não ater o coração a nada, senão a Deus e ao cumprimento de Sua Vontade;
b)- A radical pobreza:  coração livre de todo apego terreno, pronto para deixar um local e partir em missão para outro;
c)- A confiança em Deus providente: nunca esperar em suas próprias forças, sempre se abandonar ao Pai do céu que nos ama e sabe de nossas necessidades.

4 – “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus...”
Este trecho do Evangelho de Mateus (Mt 6,33a) nos convida a não nos atermos a coisas passageiras, coisas que perderemos e que nada poderemos fazer para prolongarmos sua existência. Só o Reino de Deus vale a pela ser instaurado, só ele pode corresponder às nossas aspirações de paz, felicidade, alegria, amor, caridade perfeita, tudo o mis que possa vir a fugir disso leva a frustração e decepção porque não tem base solida e alicerce seguro. Deus é o idealizador desse Reino, mas nós somos seus construtores que a cada gesto de caridade, amor, perdão, acolhida o vai edificando nesta terra para o consumar no céu!

5 – “...e a sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo!”
Essa segunda parte deste chamado de Cristo no mesmo Evangelho (Mt 6,33b) nos pede para buscarmos a justiça deste Reino. Ora mas qual seria a sua justiça? O apóstolo Paulo nos reponde na sua carta aos Romanos (Rm 14,17-19):

“Pois o Reino de Deus não é comida e bebida, mas é justiça e paz e alegria o Espírito Santo. Quem serve assim a Cristo agrada a Deus e é estimado pelos homens. Portanto, busquemos tenazmente tudo o que contribui para a paz e a edificação de uns pelos outros”.
Assim por justiça entendemos dar ao outro aquilo que ele merece, ou seja, não na nossa medida, mas na medida em que o outro o tem direito, Deus age da melhor forma nos dando todos os dons necessários para uma vida digna e saudável, mas fica sempre na nossa decisão o que faremos desse dom, podemos exercer a justiça do Reino no momento em que nos deixarmos conduzir por essa palavra que quer nos fazer viver em plenitude.

A alegria que vem do Espírito Santo não se configura nunca com essa alegria passageira e fugaz que o mundo nos apresenta e insiste em nos impregnar. A alegria que vem Deus é algo que nos transforma e nos leva a buscar a felicidade do outro e a enxergar no outro a presença de Deus! Quem é feliz no Espírito Santo não se deixa arrastar por coisas mesquinhas mas, independente do exterior traz em si algo de belo e vivo que só quem espera em Deus pode demonstrar.

6 – Conclusão
Creio que nossos fundadores escolheram esses sinais para expressarem a missão que a nova companhia queria empreitar: renovar-se para renovar a Igreja, desapegar-se completamente de todo vinculo que possa destruir o homem e sua dignidade, ligarem-se a Cristo de forma intima e completa assumindo sua Cruz e missão, anunciar, e mais que isso, instaurar com a Força do Espírito Santo o Reino de Deus já aqui, na justiça, na paz, fazendo-se sinais de uma profunda reforma, que mais do que na estrutura, seria do próprio ser cristão voltando às fontes e vivendo na sinceridade de sua vocação:

“Pobres de tudo, desnudos de qualquer recurso próprio, vivendo do amor de Deus!”

Sem. João Amaro

domingo, 2 de março de 2014

Comunidade ideal, perfeita, onde?

Para que possamos ser discípulos e missionários de Jesus Cristo precisamos viver como irmãos um verdadeiro processo continuo de união em Cristo, ter uma vida comunitária.
O espírito religioso teme os exageros por isso sempre nos convida ter uma vida verdadeira e transparente, para estar na igualdade e na semelhança da Divindade do Criador da vida, o testemunho de comunhão entre nós edifica aos irmãos e nos leva a ser exemplos para aqueles que estão próximos sempre na busca do caminho ideal.
Que em nossa comunidade a ação cristã seja referência de transformação social; para que a vida que Jesus veio comunicar à humanidade aflore em toda sua plenitude para a glória de Deus e o bem de todos unidos em família empenhados na promoção da vida em plenitude que Jesus veio trazer especialmente com os sofridos na busca persistente da transformação da sociedade de modo a proporcionar vida digna para todos.
Portanto o amor é a lei fundamental em cada um de nos cristãos, cada um de nós deve praticar o amor de Deus com os seu próximo. Tudo implica em nosso relacionamento constante com Ele, seja no relacionamento com o próximo que vive em situação difícil devemos ter prioridade para com os pobres, os que sofrem, os excluídos que necessitam que seus direitos sejam promovidos, sua dignidade, vivendo uma vida na sociedade. É a necessidade de amarmos segundo as necessidade e justo desejo do meu próximo.
Para que esses meios possam ser utilizados de forma eficaz é fundamental que cada um de nós nos aprofundemos no conhecimento do amor verdadeiro para sermos evangelizadores da Palavra de Deus, vamos pedir que nos ajudeis formar nossa comunidade que saibamos escolher e assumir a nossa missão como verdadeiros cristãos.


Sem. Ederson de Oliveira 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

E habitou entre nós


                                  
Ora, Jesus esteve aqui, isto é, viveu no mundo, comeu, bebeu, brincou quando criança e chorou. Foi em tudo humano, exceto no pecado.
Quem conhece o homem senão outro homem? Jesus sendo Deus encarnou-se, adentrou no plano terreno. Quis conhecer-nos a partir de uma perspectiva humana. O eterno entrou no tempo e se sujeitou a ele. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a)
Para nós, isto bastaria como prova de amor, mas Ele ainda foi além e se sujeitou também a morte. Mostrou o desapego da sua condição divina.
De fato, Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, Aquele que caminha junto a nós, portanto, não é alheio as nossas dificuldades, pois Ele mesmo as teve e as sentiu na própria pele.
“A nossa cultura perdeu a noção desta presença concreta de Deus, da sua ação no mundo; pensamos que Deus Se encontra somente no além, noutro nível de realidade, separado das nossas relações concretas.” (Lumen fidei, p. 11). Não é assim que Ele se manifesta, pelo contrário, fez questão, não somente de estar junto, mas foi além: o Criador fez-se como sua própria criatura; fez-se homem.

Pedro Gustavo Moreira

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mergulho em Deus



 Se compararmos Deus com um Oceano profundo, podemos dizer que a oração, lugar da experiência de Deus, é como uma natação praticada por nós,como antegozo do mergulho definitivo.
 Ora, só quem sabe nadar pode mergulhar com confiança. E só se aprende a nadar praticando. 
 Devemos praticar essa natação, para sermos considerados dignos de, um dia, mergulhar por completo no Pai e diluir-se inteiramente n'Ele. 

Deus é como um
Oceano profundo.
E a oração é
a natação que
praticamos.

Um dia mergulharemos
em Deus completamente 
e definitivamente.
Por isso, apressemos
em aprender a nadar bem!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CARÊNCIA DE DEUS


 O ser humano foi criado com o desejo de Deus. O que é esse desejo? Não é nada mais a carência que possuímos dele. É a necessidade nata que temos. Esta carência não é de todo mal, ela é boa quando nos leva a Ele, porém um tanto nociva quando nos afasta Dele. E esta última situação costuma, infelizmente, ser mais frequente.
 Qual é a origem do sofrimento causado por este tipo de carência? 
 Quando o homem, que é carente (necessitado, desejoso) de Deus busca saciar essa carência não nele, mas na imagem Dele, isto é, busca saciar essa carência de Deus com as pessoas, que são meras imagens de Deus e não Deus, o resultado será óbvio: sente-se pior, mais carente e sedento, e, muitas vezes, desconhecendo de quê.
 É como uma pessoa que está desejosa de tomar leite e, ao invés disso, toma algo derivado dele, o que a deixará 'satisfeita' por um tempo, mas não plena. Enquanto, persistirmos buscar nos outros a própria realização que só se dá em Deus, continuaremos a ser infelizes, carentes e desiludidos. A plenitude de nossa existência só é possível em Deus.
 Portanto, conhecendo a origem do problema da carência, já sabemos onde curá-la. O vazio que pode existir em nós é o espaço natural que Deus deve ocupar, com o nosso consentimento. 

Pedro G. Moreira

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

                                                   
Segue texto retirado do informativo "CONSTRUÇÃO" do Seminário S. Pio X do dia 15 de Março de 1973, esse texto relata a história do referido seminário.
Obs.: o texto foi transcrevido literalmente como está no exemplar da edição.





                                    SEMINÁRIO TEATINO NO BRASIL


Os Padres Teatinos iniciaram os seus trabalhos apostólicos no Brasil em 1951. Alguns anos após, já começaram a alimentar a ideia da fundação de um seminário para a formação de Sacerdotes brasileiros, para o que recebeu muito incentivo, inclusive por parte de D. Henrique, que era bispo de Botucatu. Esta simples ideia veio tornar-se realidade com a chegada de dois padres vindos da Itália, exclusivamente para dirigir o Seminário, que a 20/3/1961 recebia os treze primeiros seminaristas. Começou a funcionar provisoriamente no Salão Paroquial, e a Missa de inauguração foi celebrada pelo Rvmo Pe. Gabriel na capela do Primeiro Seminário no Brasil, no dia 25/3/1961, data que tornou oficial, para a comemoração do aniversário do Seminário. Os primeiros professores foram: Pe. Gabriel - primeiro Reitor, Pe. João Ferreti- cooperador, Dona Georgina (já falecida) e o senhor Hezio Correa. Contudo, os Padres não se contentaram de já possuírem o Seminário funcionando (num prédio provisório) , e a 2/5/1961 realizava-se uma reunião na casa Paroquial com pessoas amigas para tratar da aquisição de um sítio onde construir o Seminário. . Foram sugeridos vários lugares inclusive a Vila de Fátima, mas todos foram sendo rejeitados, até que dias após, quando se estava abrindo a estrada Fartura-Taquarituba, Nenê Garcia e Melque (já falecido), Pe. Salvador e Pe. João, chegando ao local onde está localizado hoje o atual Seminário, ficaram tão entusiasmados que abandonaram logo a Vila de Fátima e outros locais. No dia 14/9/1961 (casualmente aniversário da fundação da Ordem) , a plaina da prefeitura começou a nivelar o terreno. Em 24/3/1963, Fartura viveu um dia ímpar de sua história, pelo lançamento da “Pedra Fundamental” do Seminário São Pio Décimo. O número das pessoa presentes calculou-se em três mil e no terreno apinhado de carros e pessoas, assistidos pelos Padres Gabriel e João, presidiu a cerimônia o então Delegado provincial dos padres Teatinos no Brasil, Pe. Salvador Badame. À inauguração do Seminário, que recebeu o nome do grande Papa da Comunhão e restaurados da Ordem: São Pio Décimo, que realizou-se a 25/3/1965. Depois de doze anos de existência, sei “Seminaristas maiores” são fruto desse árduo trabalho, sendo que dentro de dois anos, se Deus assim o permitir, teremos os dois primeiros padres brasileiros, da Ordem dos Padres Teatinos. Celebrando este ano o 12° aniversário da fundação do primeiro Seminário Teatino no Brasil, com sede em Fartura, agradecemos de coração a estes padres, que se emprenharam com tanto amor, não medindo os sacrifícios, na edificação desta “OFICINA ESPECIALIZADA” para formação dos sacerdotes de amanhã.


                                                                                                                           Pedro de Carvalho

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014




                                                   A ESPIRITUALIDADE TEATINA
                                                            Roberta Duranti

    O embrião da espiritualidade teatina é encontrado na Companhia do Divino Amor, em particular no Oratório Romano, no qual S. Caetano e J. Carafa (o futuro Papa Paulo IV) reforçaram a própria experiência espiritual; em 1524 com os coirmãos Bonifácio de' Colli e Paulo Consiglieri, deu vida a nova instituição religiosa, cuja regra tinha o fim prioritário de dotar a Igreja de sacerdotes (precisamente, clérigos regulares) que com seu zelo apostólico e a santidade da própria missão, restituíssem nova dignidade ao clero[1].
   Centralidade da figura sacerdotal, portanto, como  primária dispensadora das graças divinas, a exercitar com grande humildade. Estas são as características fundamentais da espiritualidade teatina:
a) Em resposta a corrupção moral e espiritual na qual transbordava a Igreja, ocorria restituir ao ministério sacerdotal uma nova dimensão exemplar.
b) A Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos, considerando a sacralidade do cristianismo, estabelece a prioridade da vida sacerdotal, conduzida à luz da própria vocação, renunciando totalmente aos próprios bens temporais.
c) Na base desta doutrina está a recusa da própria vontade, a qual é associada o combate pela vida de santidade; o que só se torna possível com a recusa dos bens temporais, acima mencionada, por meio da qual se atinge a liberdade e a paz do espírito.
d) A tranquilidade da alma, então, repousa na confiança filial e total na Divina Providência, que consente ao cristão alcançar a íntima união com Deus.
e) A vida espiritual se realiza e alcança a perfeição somente mediante a oração pessoal, a comunhão frequente, a piedade eucarística e finalmente com o culto à Virgem.
f) O sacerdote que amadureceu a própria espiritualidade segundo estes ensinamentos, pode exercitar o apostolado confiado, segundo a regra da obediência, e conduzir a sua vida em comum como prevê a própria regra.
  São Caetano Thiene operou uma transformação sobre a vida sacerdotal dentro da comunidade eclesiástica, unindo a tradição das ordens monásticas com as exigências do clero regular, a fim de criar uma nova corporação de sacerdotes particularmente zeladores.
   Uma exemplificação do conceito de espiritualidade teatina se encaixa bem com esta formulação:
   <<Reforma do indivíduo como base e pressuposto da renovação total; a austeridade dos costumes, foi característica principal desta renovação, tal que os clérigos regulares foram definidos "reformadores", às vezes, "reformados", pelo exercício contínuo da abnegação da própria vontade[2].>>
   O caráter "militante" deste processo de santificação consiste numa autêntica luta interior contra os inimigos da vida espiritual cristã (afetos desordenados, amor próprio, concupiscência, ganância etc.); de resto o próprio S. Caetano formulou o conceito de "combate espiritual" numa carta a L. Magnani do dia 28 de Janeiro de 1518 com estas palavras:
    <<tenho tolerado bem tantos anos os sofrimentos mortais a todo o momento dados a minha mísera alma. Servi a carne, o mundo e o inimigo das almas. Talvez fosse agora a hora, Reverenda Madre em Cristo, que eu deveria fazer a guerra sem trégua para estes meus inimigos traquinas e superá-los com a ajuda da Cruz[3]...>>
     A espiritualidade teatina enquanto isso havia deixado a sua marca indelével também na Igreja secular: João Pedro Carafa, já bispo de Chieti e arcebispo de Bríndisi antes do encontro com S. Caetano, foi eleito papa em 1555 com o nome de Paulo IV, e até a sua morte, vinda em 1559, foi um defensor intransigente da Contra reforma, que se manifestou com a adoção de medidas destinadas a moralização da Roma renascente, e, no plano da ortodoxia, dilatou as competências do Santo Ofício e potencializou a contundência do poder da Santa Inquisição.
     É de se lembrar aqui, a singular atenção manifesta de um outro Papa sucessor de Carafa, o Cardeal Camilo Borghese, Paulo V, (pontífice de 1605 a 1621), que confirmou os privilégios da Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos, apoiando a fundação de novas sedes a Ravenna e a Bergamo. Em particular, o pontífice compartilha a dor da Ordem pela morte de S. André Avellino, bem como de Scupoli, como pode ser visto a partir de L. Pastor na História dos Papas[4].


[1] B. Mas, La Spiritualità Teatina, Roma, 1951, p. 10.
[2]Cfr. B Mas, La Spiritualità Teatina, Roma, 1951, p. 14.
[3] Cfr. La lettera di S. Gaetano Tiene a Laura Magnani, 28 de Janeiro 1518, in De Maulde-Salvadori, San Gaetano da Thiene e la Riforma cattolica italiana, Roma, 1911,p. 50,  F Andreu, Le lettere di San Gaetano da Thiene, Città del Vaticano, B.A.V., collana di Studi e Testi 177, 1954, p. 15.
[4] L. Pastor, Storia dei papi(História dos Papas), Vol XII, Roma, 1930, p. 199.

Texto retirado da revista teatina REGNUM DEI, ano LXII, 2007, n. 133
II capítulo do artigo “História da tradição de um texto: o combate espiritual”
Tradução: Pedro Gustavo Moreira

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Inauguração da casa de Acolhida Venerável Francisco Olimpio


  No último dia 21 de Fevereiro, com missa às 19:30, ocorreu a inauguração oficial da casa de acolhimento Venerável Francisco Olimpio. Esta casa possuí como principal objetivo a recuperação e a ressocialização de seus membros e agora conta com a coordenação de Cláudio Pereira. Esta é mais um fruto da Família SOS São Geraldo que busca sempre "salvar vidas".
  Segue abaixo um pouco da história do nosso venerável Francisco Olimpio que da nome a casa.

VENERÁVEL FRANCISCO OLIMPIO
– AMANTE DA EUCARISTIA E DA POBREZA –
FESTA: 21 DE FEVEREIRO
  Francisco Olimpio nasceu em 5 de fevereiro de 1559 em Nápoles, filho de Tibério Olimpio e Elisabeta Di Leo, os quais o dão o nome de Domingos Salvador Honório.
        Quando completa quinze anos decide que tem que tomar uma decisão quanto a que profissão seguir, decidindo-se por responder  ao apelo que sentia em seu coração para servir a Deus através dos irmãos, seguindo esse caminho por uma via especifica, a vocação sacerdotal, entrando assim para a Ordem dos Padres Teatinos. Identificou-se pelos teatinos por serem estes, como ele dizia ‘os padres reformados’. Ele emite sua profissão solene da Ordem aos 17 anos, em 1576 no dia do Beato Paulo Buralli D’Arezzo (17/06), mudando seu nome para Francisco.
            Foi ordenado padre aos 25 anos de idade em 25/03/1584, indo trabalhar da cidade de Vico na Italia. Estupefato com o mistério da concepção Imaculada de Nossa Senhora, dedica sua vida a uma especial devoção a Imaculada Conceição, passando muitas horas rezando em frente da imagem de Nossa Senhora, horas estas que se multiplicaram também na adoração eucarística “fonte de todos os bens, segurança e certeza de todo conselho, verdadeiro refúgio ante qualquer adversidade”, como ele mesmo dizia. Estas devoções renderam-lhe imenso amor pela pobreza, pela humildade e pelo sacrifício de si, visitas incansáveis aos enfermos, as mães solteiras e aos encarcerados.
Conservando sua grande devoção a Maria, ajuda a propagar, fundamentado na obra de São Luis Grignion de Montfort – Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria -, o desejo de ser escravo de Maria, escravidão que envolvia um sacrifício de si mesmo e entrega para o serviço ao necessitado, sendo criado por ele o ‘Monte dos escravos de Nossa Senhora’, uma especial de banco que ajudava financeiramente as pessoas que precisavam, por exemplo, de um atendimento medico e que não tinham condições para isso. Este “banco” era fortalecido por doações do povo leigo que, seguindo o exemplo de Francisco Olimpio, tornavam-se escravos de Nossa Senhora.
            Dedicou toda sua vida, deste modo ao “ora et labora”, ou seja, oração e trabalho, gastando inúmeras horas em orações e adorações, e, o dobro de horas, em atendimento aos pobres, doentes e desamparados.
            Morreu em 21 de fevereiro de 1639, com quase oitenta anos, em fama de santidade, fama tão grande que teve seu processo de beatificação aberto apenas quatro anos após sua morte.
            O venerável Francisco Olimpio nos deixa de um modo muito claro e objetivo qual é o caminho da santidade. Quer ser santo, reze, tenha uma verdadeira devoção e confiança em Nossa Senhora, nossa Mãe, comungue e adore o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus inúmeras vezes, mas não pare nisto, é preciso o trabalho, é preciso amar Nossa Senhor e Jesus no irmão que sofre.
                                                                     
                                                                          ORAÇÃO
            Senhor, te pedimos humildemente para que seja glorificado, também na terra, Teu servo Francisco Olimpio e, de conceder, por sua intercessão, a graça (fazer a intenção) que confiantes pedimos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
VENERÁVEL FRANCISCO OLIMPIO, ROGAI POR NÓS!


Sem. João Victor dos Santos Silva

OVOS NA BANDEJA

                                                 



 Certamente não são os tempos que mudaram, isso é consequência, de uma mudança do Homem; que se vê um tanto quanto desconfigurado de si mesmo em relação a atualidade. Esta perda de identidade humana, afeta claramente as estruturas básicas da sociedade e cultura, ambas derivadas do ser humano.

Vive-se nos dias atuais uma cultura de medo do outro, do toque e do afeto. As pessoas vivem juntas sem conviver. Isso delata um processo da sociedade que engendra modelos de relações contraditórios. Pois busca-se um modo de ‘relacionar-se o quanto menos possível’.

Nos grandes centros populacionais este fenômeno do relacionamento parco é evidente, haja vista os seres que já não se encontram mais, somente esbarram-se ocasionalmente. Não percebem um ‘igual’ ao seu redor. Isto gera outro fenômeno que é a ‘invisibilidade social’, neste ponto, exemplificado pelos marginalizados, que passam despercebidos. Esta invisibilidade é resultante de uma cegueira social generalizada.

 A sociedade tende cada vez mais a trair seu objetivo essencial e a de induzir os seres humanos a tornarem-se ‘ovos em uma bandeja’, onde ficam agrupados, organizados, porém separados. Os ovos não se tocam, não se encontram e portanto não se relacionam, apenas coexistem. Cria-se um indivíduo trancado em si, isto é, cativo de ‘um processo de individuação’.

Pedro G. Moreira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Elegância desobrigada - Ir. Valmir Carvalho, CR



   Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

   É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

   É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

   É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.

   Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.

   É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

   É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.

   É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens…

…Abrir a porta para alguém é muito elegante… dar o lugar para alguém sentar… Oferecer ajuda… …Olhar nos olhos, ao conversar…
   Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem enorme para a alma…
   Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:

   Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.


Irmão Valmir Carvalho, CR


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Diário de uma semana teatina


   Chegamos no Seminário São Caetano no dia 02 de Fevereiro, domingo. Já na segunda-feira iniciamos uma semana programada com encontros sobre teatinidade e espiritualidade.
   Na terça-feira fizemos um retiro pregado pelo Pe. Jesus Angel Bermeo Gonzales, CR que tratou conosco do tema "Vida Comunitária". Este retiro realizou-se na casa de oração Madre Regina Protman.
   No dia seguinte participamos de um encontro com a sra. Angélica Gueiros no CCI, sobre a espiritualidade da Divina Providência.
   A tarde deste mesmo dia realizamos um estudo programado sobre diversos temas teatinos, santos, beatos, veneráveis, símbolos e máximas teatinas. À noite fizemos a apresentação dos temas estudados e compartilhamos as informações adquiridas.
   Na quinta-feira Pe. Francisco expôs um pouco da história taeatina e a chegada dos teatinos ao Brasil, bem como das de mais províncias.
   Na manhã de sexta-feira tivemos um encontro com Pe. Salvador, da diocese de Guarulhos, ele que irá nos acompanhar espiritualmente. Fez um breve colóquio e em seguida pudemos conversar individualmente.
   No sábado pela manhã iniciamos as conversas pessoais com nosso reitor Pe. Chico, CR e no período da tarde participamos do CPP e a noite findamos com um jantar de bodas de ouro do casal Sebastião e Piedade.

Missa de abertura Postulantado 2014 Padres Teatinos


Olá amigo e amiga internauta,

... estamos de volta para darmos inicio a mais um ano nesta casa de São Caetano. Algumas carinhas você já conhece e outras novas estão surgindo!

No último dia 09 de Fevereiro na missa das 19:00 H, na Paróquia São Geraldo, deu-se o inicio oficial do ano letivo no Seminário Teatino São Caetano de Guarulhos, SP. A celebração contou com a presença da comunidade, de todos os seminaristas e também do Pe. Chico, C.R., reitor deste seminário. Foram apresentados a comunidade os novos membros desta casa que são: Christian Macedo (São Paulo, SP), Luiz Ricardo (São Manuel, SP), Maycon Costa (Itaporanga, SP), Michael Rocha (Itaí, SP), Pedro Gustavo (Itaí, SP), João Vitor (Itapetininga, SP) e o Irmão Valmir Carvalho, CR (Limoeiro, PE). Além é claro daqueles que aqui já moravam. São estes: Ederson de Oliveira (Igaraçu do Tietê, SP), Jerry Jeferson (Londrina, PR), João Amaro (Três Corações, MG) e Renan Asumpção (Ourinhos, SP). Após o término da missa a Família Teatina preparou uma pequena confraternização para acolher aqueles que chegavam.

O curso de Filosofia teve inicio no dia 10 de Fevereiro e o rito de ingresso ao postulantado, que é a fase que corresponde a esta casa, ocorrerá no próximo dia 21, dia do nosso venerável teatino Francisco Olimpio.