sábado, 19 de abril de 2014

A ÁRVORE DA VIDA



 A cruz de Jesus é a árvore do amor. Sublime madeiro fecundo, do qual o fruto da salvação brotou por meio do Cristo. Dizemos que a cruz é uma árvore. Por que assim dizemos? Porque fazemos uma analogia com a árvore do bem e do mal do jardim do Éden, da qual Eva colheu o fruto proibido e o deu de comer a Adão.
Contudo, a árvore da cruz é a antítese da árvore do bem e o mal. Na remota árvore do Gênesis brotou o fruto do primeiro pecado da humanidade, em virtude do qual recaiu sobre a condição humana a morte. O Criador tinha dado poder comer de todas menos de uma, “pois desde o dia em que dela comerdes, tua morte estará marcada.” (Gn 2, 17b). Ou seja, comeram do fruto proibido e por isso morremos.
A cruz susteve o maior fruto de todos: o próprio Filho de Deus. Dela brotou o fruto esperado, a remissão de toda a humanidade. Por este fruto fomos de novo ligados ao eterno, ao pai de todas as coisas.  Se a primeira árvore nos separou do Criador a segunda tem o mérito de nos dar nova comunhão com ele. Já não somos mais abandonados por Deus, mas sim seus filhos remidos pelo sangue derramado do alto daquela cruz vitoriosa.
A cruz é a árvore da vida porque ao contrário daquela remota árvore do Éden, que nos deu a morte, nos deu a vida plena em Deus. Ela restabeleceu a relação com o Divino. E esta é a vida: o contato com Aquele que nos Criou.

Pedro G. Moreira

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Meditação sobre o encontro de nosso Senhor Jesus Cristo, carregando a cruz às costas rumo ao Calvário com sua Beatíssima mãe a senhora das Dores, Maria Santíssima.


Meditação sobre a Virgem das Dores
Texto base da meditação : Lamentações 1,12 (Lámed)
“Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta!”
Embora saibamos que Maria Santíssima não disse essas palavras, mas a Igreja, deste de os primeiros séculos atribuiu a ela essa lamentação. Podemos quase imaginar Maria, chorando atrás do cortejo que leva seu Divino Filho ao suplicio e entre olhares de repreensão de muitos conhecidos ou não, por entre lágrimas silenciosas, ela indaga a cada um: “existe dor igual à minha dor?”
Uma mãe que cria seu filho com todo amor, educa-o, nutre-o, cura-lhe as feridas de quedas quando criança, da ao fruto de seu amor toda a atenção, como nossas mães nos deram. Todos nós já ouvimos dizer que mãe nenhuma cria filho pra enterrar, mas espera que um dia, quando na sua velhice tiver que partir dessa terra, o seu amado filho estará ao seu lado, amparando, consolando, segurando as suas mãos...
Mas com Maria foi diferente, assim como infelizmente é com tantas mães que veem seus filhos em situações deploráveis, sub-humanas e mesmo com o coração em pedaços, nada podem fazer, mas continuam amando, consolando, fazendo-lhes companhia, ela, com uma troca de olhares, talvez um toque rápido nas mãos que tantas vezes lhe fizeram um carinho, mostra-se solidária com a dor, o sofrimento e a condenação do filho.
Maria é a figura desconsolada de tantas mães que perderam e ainda perdem seus filhos para as drogas, para a prostituição, para o alcoolismo, para pessoas sem escrúpulo que só visam o lucro e o próprio bem estar. Usando muitas vezes para adquirirem esse lucro a vida de pessoas que por um sonho ou uma desilusão, deixam suas famílias e partem sem saber se o que encontrarão será tão bom quando lhe disseram.
“Ó vós que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!” é o que milhares de mulheres gritam perante uma sociedade que busca somente a realização de suas necessidades e não olha para os que sofrem. É só pararmos um pouco e prestarmos atenção, quantas pessoas clamam, com voz até rouca por uma atenção, por socorro, clamam desesperadamente aos céus na esperança de que ao menos Deus se compadeça de seu sofrimento e envie um bálsamo acalentador para suas feridas.
Mãe das dores, Virgem Maria, nossa mãe, vós que estivestes junto a vosso Divino Filho no doloroso caminho da Cruz, olha para nossas mães, avós, esposas, filhas, sobrinhas, mulheres que como teu Jesus carregam uma pesada cruz nem sempre aliviadas por um Cirineu, nem sempre com suas faces limpadas por uma Verônica piedosa. Dai-lhes ó mãe vosso auxilio nas angustias, vosso consolo nas tribulações, vosso colo para chorarem quando tudo mais parecer perdido e sem razão.
Com toda certeza, Maria Santíssima esperava ter ao seu lado na hora derradeira seu filho, mas Deus aprouve-lhe de outro modo: ela, silenciosa e com um choro angustiante, consolou, animou e acima de tudo rezou pela missão de seu filho. Aquela espada de dor que o velho Simeão profetizou que lhe transpassaria a alma agora se faz real e aguda. Agora ela começa a entender muitas das coisas que guardava e meditava em seu coração, quanta coisa agora lhe vinha aos olhos da alma, quantas palavras, quantos gestos...tudo a fizeram entrar na noite mais escura da alma: quando Deus revela por definitivo seu plano de salvação e nos pede que colaboremos ofertando algo de nós, aqui, Maria, mesmo com sua dor de mãe que vê o filho sendo condenado injustamente à morte, renova o sim dado ao divino mensageiro naquele feliz dia da anunciação e com a alma rasgada de dor, O oferece ao Pai para que se cumpra a nossa salvação.
Meditação sobre o Senhor Jesus dos Passos
Texto base da meditação: Isaías 52,14-15
“Assim como, à sua vista, muitos ficaram embaraçados – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana – assim admirarão muitos povos: os reis permanecerão mudos diante dele, porque verão o que nunca lhes tinha sido contado,e observarão um prodígio inaudito.”
Assim se expressa bem o profeta quando no chamado “Cântico do servo sofredor”descreve a visão que muitos que estavam em Jerusalém para a festa da Páscoa tiveram daquele homem que nada fez de mal, mas que soube acolher, amar, perdoar e falar de uma forma que ninguém nuca havia falado. Mas qual seria o seu crime? Que horror poderia ter cometido tal homem? Porque teve castigo tão extremo?
Aquele homem que tanto bem fez, que com um olhar despertava a esperança escondida dentro de tantos, agora estava ali, mais chagado que um leproso, coberto de sangue, ferido, cuspido, escarrado, levando bofetões de todos os lados e ainda, com os mesmo olhar de amor inabalável que fitava a cada com um carinho que jamais outro olhou ou olharia novamente. Seu crime? Tratar todos com o mesmo amor, conviver com pecadores públicos, prostitutas, cegos, aleijados, doentes de todas as formas... dizer-se filho de Deus!
Seus cabelos possivelmente embaraçados formavam uma pasta só, unida pelo sangue que escorria de suas feridas feitas pela coroa de espinhos, suas mãos e pés, amarrados, dificultando ainda mais seu caminhar, seus olhos embaçados pelo sangue, a cruz às costas que lhe feria o ombro, os pés descalços que escorregavam nas pedras do caminho, o abandono por parte de seus discípulos, a incoerência do povo que dias antes o aclamava como rei com gritos de Hosana...
Quantas pessoas, ainda hoje sofrem as mesmas dores de Cristo! Quantas pessoas que são vendidas e traficadas por pura ganância, quantas pessoas ainda tem suas mãos e pés amarrados quando são encarceradas por traficantes ou de forma injusta, outras tem que trabalhar em situações de escravidão e perdem a dignidade de poderem trabalhar para seu sustento ou de seus familiares. Quantos que se dizem amigos, mas são pedras de tropeço, pois conduzem para o vicio, a dependência, ao abandono de seus valores...conduzem à perdição completa, quase apagando neles a imagem de filhos amados de Deus.
Deus nos ama de tal modo que entregou seu Filho amado para nos resgatar do pecado e da morte, nos libertar das amarras que nos levam para longe do que Ele sonhou para nós. Mesmo assim, nos obrigam ou nós mesmos somos obrigados a carregar uma cruz que ao invés de sinal de vitória pela morte vencida se torna vida vencida pela morte! Mas Deus não desiste de nós! Vem ao nosso encontro por meio de tantas pessoas, uma Verônica que nos enxuga o rosto, um Cirineu que se inclina e nos ajuda a levantar e a carregar a cruz, um doce olhar de mãe que nos acalenta o coração...tudo isso é Deus caminhando conosco.
Quantas quedas! Quantas pedras! Quantos espinhos! Quanta coisa vai se grudando nas feridas como as roupas de Jesus em seu corpo, mas quando chega a hora de tira-las, quanta dor! Coisas que vão se fixando em nós e vão quase se tornando uma segunda pele: falsos amigos, um ou vários vícios,uma necessidade supérflua, uma amor mal orientado, tudo isso, precisa ser tirado, para que a libertação a nós trazida por Jesus e conquistada por seu sangue seja eficaz e gere-nos para uma nova vida.
Jesus caminha com a cruz às costas não por ser um vitimista ou um fatalista, uma pessoa entregue à sorte, mas o faz consciente de que a sua missão passava pela cruz e seu amor ao Pai o sustentava. Ele caminha na dor para nos indicar que nunca devemos nos paralisar seja qual for o motivo, caminhar é preciso, chegar é preciso, consumar nossa vida por amor, mas por uma amor que valha a pena é fundamental, por isso, Ele o faz por primeiro e nos mostra como fazer.

Sofrimentos virão, incompreensões, perseguições, desilusões, fracassos, mas nunca sempre tudo isso durará, um dia a chuva para, o horizonte se abre, o sol aparece, a vida renasce e a cruz que olhávamos tão penosa e dolorida será um sinal de vitória e vida!Mas a experiência da ressurreição só experimenta quem passa pelo caminho da cruz e da morte no Calvário. Jesus mostrou isso!

O PREÇO DO MUNDO

                    

Ó madeiro bendito, 
que sustentou o preço do mundo em si,
tornou-se digna árvore do amor, 
da qual pendeu a salvação de todos. 

Tu és a figura e a forma do amor supremo,
que se concretizou em ti e
tornou-se o símbolo dos cristãos!

Bem aventurada és tu,
testemunha da redenção;
a ti rodearam a Virgem, Madalena e João,
a fim de velar ao Cristo a ti atado!

Ó bendito suporte
do corpo chagado do Filho do Homem,
a tua forma traçamos em nossos corpos,
para que seja para nós consolo em nossas dores

Ó árvore fecundada com o sangue precioso,
que  nossos corações sejam
terras igualmente férteis para as tuas sementes!

Diferentemente da remota árvore
que deu o fruto do primeiro pecado e
trouxe a morte ao Homen,
tu só pode dar-nos o fruto da vida plena!

Pedro G. Moreira


domingo, 13 de abril de 2014

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.

O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da esc

ravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.
Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte. 
Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos: o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações, cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa cruz.
O Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor", nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver eternamente. É proclamar, como nos diz São Paulo: '"Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai' (Fl 2, 11).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não calemos a voz de Jesus que liberta


Amados irmãos e irmãs,

A Igreja, neste tempo quaresmal, nos chama a olharmos a nossa volta e perceber a realidade em que vivemos. Falo aqui do tema proposto pela Campanha da Fraternidade de 2014: Fraternidade e Tráfico Humano com o lema “é para liberdade que Cristo nos libertou” Gl 5,1 .

Sem querer me ater a questões teológicas, deixemos isso para aqueles que o são mais capazes, proponho que abandonemos um pouco a nossa postura natural de autossuficientes e sejamos humildes para reconhecer a nossa inexperiência em relação a este tema tão falado, mas muitas vezes pouco conhecido, afinal, não são apenas fatos fictícios retratados pelas grandes mídias que vão nos apresentar exatamente o que é o tráfico de pessoas.

É preciso estar atento aos crescentes levantamentos que mostram que cerca de 21 milhões de pessoas são vítimas desta chaga social, sendo que 14,2 milhões são forçados a trabalhar em condições desumanas e salários baixíssimos e cerca de 4,5 milhões na exploração sexual. Esses dados são extraídos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que é a agência das Nações Unidas que tem por missão promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade.

Vamos exemplos nos noticiários que demonstram algumas das ramificações do tráfico humano, como o caso recente dos 19 peruanos que foram encontrados submetidos a escravidão em uma das tantas confecções da grande São Paulo que, por dívidas e jornadas exaustivas sistemáticas, além da retenção de documentos, eram impedidos de fugas. Apesar disso ,após terem denunciado o caso, um dia depois voltaram atrás depois que tiveram contato com os empregadores. A reportagem ainda diz que não há a certeza se o grupo foi coibido a agir em defesa dos patrões. Fica ao critério da opinião de cada leitor.

Contudo, são inúmeros os casos com relação a este tema, no entanto é preciso conhecer também os motivos pelo qual isso ocorre. Alguns dos fatores apresentados são: miséria, impunidade, ganância, desconcientização, falta de oportunidade, entre outros. Todos esses pontos estão sempre correlacionados com a falta de informação e remetem a uma grande parte da população, por isso a importância da conscientização da cada um de nós.

Os filhos injustiçados desta terra conclamam por liberdade! Resta a cada um de nós sermos agentes no combate a este mal que aflige a milhares de pessoas no mundo todo. Resta a nós sermos cristãos comprometidos com os valores evangélicos na busca autêntica pela libertação de nossos irmãos, mas também para não cairmos nas armadilhas da escravidão. Buscando sempre mais sermos conscientes, ousemos olhar para a realidade que esta a nossa volta, ousemos enxergar os pecados sociais que se encontram em nosso meio, não deixemos a voz do Jesus que liberta silenciar nos nossos corações e nos corações daqueles que mais sofrem.

Michael Luis da Rocha.
Fontes de pesquisa:

Reportagem explicando o tráfico Humano: http://www.youtube.com/watch?v=qGMkUOl7a3s
Documentário CF: http://www.youtube.com/watch?v=3SA54JO4jmA

S. CAETANO SEGUNDO QUEM O CONHECEU

Muito se escreve e se lê sobre a pessoa de Caetano, reformador católico do séc. XVI. Existem diversas biografias sobre ele, porém escritas por pessoas que nem o conheceram, isso não significa que não haja credibilidade em seus trabalhos, pelo contrário, houve historiadores e biógrafos espetaculares do santo, a nível de curiosidade, Caracciolo, Veny, Castaldo¹ entre muitos outros; que souberam reunir de forma cuidadosa dados sobre a vida de Caetano e compilar textos belíssimos.

Os padres das gerações posteriores, preocupados com a dimensão histórica da Ordem teatina, esforçaram-se por reunir material sobre o período da fundação, bem como sobre os primeiros padres. Deste esforço surge também relatos de padres mais velhos que haviam convivido com os primeiros padres, neste caso em particular, com o fundador S. Caetano Thiene.
No final do séc. XVI um padre, já idoso, é designado a escrever 'tudo quanto se lembrasse dos padres antigos', ele se chamava Pe. João Antonio Prato e nos deixou um relato muito aprazível sobre a personalidade de S. Caetano, seu modo de ser e algumas informações. 

A leitura de tal documento histórico é fundamental para se compreender um pouco mais o santo, assim como ter um contato mais de perto com ele.
                                                                                                
Segue-se abaixo um trecho do relato de Antonio Prato, datado em 29 de agosto de 1598:

(...) “Quanto sobre a pessoa do Pe. Caetano, era em todas as suas ações tais, que com as palavras e com a vida, se pode dizer que foi um exemplo de todas as virtudes. era humilíssimo com todos submetendo-se a cada um prontamente, sem perder a sua importância e uma certa prudência, a qual acompanhava todas as suas ações. Se mostrava em todas as ocasiões amante da santa pobreza e vestia-se beatissimamente, muitas vezes fazendo (re)costurar as vestes velhas. Na sua cela não tinha mais que três ou quatro livros, como as morais de S. Gregório, S. Bernardo e qualquer outro livro devoto. No ajudar os enfermos, consolar os aflitos, aconselhar os que necessitavam, em todas as ocorrências, mostrava tanta bondade e caridade para cada um, que se obrigava as almas de todos. Se mostrava singular na obediência, fazendo de bom grado mais a vontade dos outros que a própria:onde devendo partir de Veneza para a prepositura de Nápolis, e, os outros Padres confiando a ele a eleição de um companheiro, não quis nomear nenhum, ao invés disso, voltado ao Crucifixo, rezou ao Senhor que inspirasse nos corações dos Padres a dar-lhe aquele que fosse mais contrário ao seu gosto.” (...)²


Pedro G. Moreira
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1-       Estes são um dos principais biógrafos do santo. É sabido que eles usaram o presente relato como fonte para as suas biografias.
2-       ANDREU, Francisco, Relazione del P. D. Giovanni Antonio Prato, Regnm Dei I (1945), p. 130.

sexta-feira, 28 de março de 2014

VITÓRIA DE SI MESMO

São Caetano pintado por Giambattista Tiepolo


O título deste texto é o mesmo da obra Vittoria di si stesso[1] do frei dominicano João Batista Carioni da Crema (cerca de1460-1534)[2], que como se sabe foi diretor espiritual de S. Caetano.  O nome da obra já nos sugere muitas coisas sobre o seu provável conteúdo, contudo, o que nos interessa não é isso exatamente, nem a obra em si, senão o impacto da espiritualidade ou ideia que está por trás, na pessoa de Caetano. O que vem a ser essa vitória de si mesmo? Com certeza no acompanhamento espiritual que Carioni fez com Caetano, deve de algum modo ter passado sua riqueza espiritual inclusive sobre essa questão.
Sobre isso um questionamento pode se fazer presente: por que é necessário vencer-nos a nós mesmos? Primeiramente devemos ter em conta que o objeto da batalha não é a pessoa em si apenas, mas, sobretudo, sua vontade ou desejo. Isto é, o que se busca vencer em nós mesmos é a nossa própria vontade, frequentemente mesquinha.
Mas para que vencer a própria vontade? Para que possamos, com maior liberdade, admitir  e realizar a Vontade Divina, é o que nos leva de modo perfeito ao Fiat voluntas tua! [3]
Caetano herda, de certo modo, essa espiritualidade de Carioni e a buscou vivê-la. Onde podemos, na biografia do santo, notar esse esforço? Antonio Prato nos relata o seguinte: “... devendo partir de Veneza para a prepositura de Nápolis, e, os outros Padres, confiando a ele [Caetano] a eleição do companheiro, não quis nomear nenhum, ao invés disso, voltado ao Crucifixo rezou ao Senhor que inspirasse nos corações dos Padres a dar-lhe aquele que fosse mais contrário ao seu gosto.” [4]Temos prova aqui do esforço do santo em busca de vencer sua própria vontade. Como diz Santa Tereza do Menino Jesus: “...essa pequena vitória sobre a minha vontade me custou muito...”, de fato, deve ter custado muito a Caetano a sua vitória, mas ele nos mostra o quão é possível.
Muito interessante poder ver, com este exemplo, aquilo que Oliver afirma em seu livro: “Assim, pois, o método espiritual de Fr. Batista de Crema se tornou vida e ação em Caetano de Thiene...”.[5] Exatamente, Caetano foi fiel a sua formação espiritual, foi obediente e confiou naquele que o instruiu. Outro aspecto importante da vitória de si mesmo é o da obediência, pois vencendo o desejo próprio alcança-se a obediência pacífica, todavia não é uma obediência cega e sem escrúpulos.
De fato, os inimigos mais cruéis e difíceis somos nós mesmos. Por conta da dificuldade que temos de nos opor a nós mesmos naquilo que queremos; ir contra o desejo próprio. Isso se dá pelo fato de que sempre vamos ser partidários ou defensores de nossas próprias causas, vontades. Isso nos leva a crer que estamos certos, que o queremos é o melhor para nós. Ora se queremos fazer a vontade de Deus, implica então que a minha vontade não é necessariamente a mesma Dele.
Portanto, para que a Vontade de Deus seja a nossa vontade devemos, não negar a nossa, mas livremente abdicá-la, para que a Vontade Divina tenha cada vez mais espaço em nós. Isso caracterizará a grande vitória de nós mesmos.


Pedro G. Moreira



[1] Obra cujo título completo e original: Della Cognizione e vittoria di se stesso, Milão (1531).
[2] O ano do nascimento não é exato, pode ser em algum momento entre 1450 e 1960, em Crema, Itália.
[3] Seja feita a vossa vontade, um dos pedidos da oração do Pater Noster.
[4] ANDREU, Francisco, Relazione del P. D. Giovanni Antonio Prato, Regnum Dei 1 (1945),p. 130.
[5] OLIVER, Antonio, Os Teatinos..., p.55.

quarta-feira, 26 de março de 2014

João Marinoni -Retrato da Perfeita Caridade Humana-

                                        


Só aquele que muito ama é capaz de, a exemplo de Cristo, despojar-se de si mesmo para entregar-se livre e totalmente ao serviço daqueles que necessitam. Vendo um pouco a biografia do B. João Marinoni, percebe-se que este alcançou tal maturidade espiritual.
Buscou, dentro de seus próprios limites, dispensar somente o bem. Fez caridade a todos os que ele pode atingir, até mesmo aos animais dedicou seu amor. Sendo que não permitia que exterminassem nem as formigas que invadissem a dispensa da comunidade, da qual era prepósito e mestre.
Sua sensibilidade era tamanha que multiplicavam-se pequenos gestos como, rezar pelos mendigos, quando não possuía recursos para a esmola, enviar doces como sinal de carinho, dar comida aos pássaros em suas próprias mãos, entre tantos outros gestos.
Ele é com certeza fisionomia da caridade humana, sendo que nunca precisou distanciar-se de sua condição para fazer o bem, mas se valeu dela para o êxito de seu ministério.
Tendo contato com este grande exemplo teatino, constata-se o quão possível é a santidade e a caridade ao Homem de hoje. Porque o segredo da santidade, consequência do exercício do amor, de Marinoni é ter encontrado Deus na pessoa do próximo. Por isto nunca se absteve de servi-lo incansavelmente.


Pedro G. Moreira

sexta-feira, 21 de março de 2014

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

·         Jesus é sepultado




“Depois disso (a morte), José de Arimatéia, pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus; ele era discípulo de Jesus às escondidas, por medo dos judeus. Pilatos o permitiu. José veio e retirou o corpo. Veio também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido a Jesus de noite; ele trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e de aloés. Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumavam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado. Por ser o dia de preparação para os judeus, e como o túmulo estava perto, foi lá que eles colocaram Jesus.” (Jo 19, 38-42)
Jesus está morto, todas as esperanças esvaem-se. Os discípulos voltam às redes, ninguém lembra-se da promessa de Jesus que cumprir-se-ia três dias depois. É sexta-feira, véspera do sábado, dia em que os judeus nada faziam, desde as seis horas do dia anterior. Este horário se aproximava, e Maria, Nicodemos e os outros que ali estavam, como bons judeus, tinham de cumprir os preceitos e sepultar o corpo do Senhor. Como costumavam fazer, envolveram seu corpo com perfumes e depois enrolaram-no com um tecido branco. E sepultaram-no, e, à entrada do tumulo, rolaram uma grande pedra. Tudo feito de um modo de certo apressado, as vésperas do sábado que aproximavam-se.
Eis aqui o mistério da nossa fé, Jesus, como Deus que o é, morto, desce à mansão dos mortos, ao inferno, e resgata todas as almas que lá estavam, todos que haviam pecado de Adão até o último pecador morto antes de Jesus e, com sua vitória sobre a morte, abre o Reino dos Céus com sua cruz. O jardim onde está o tumulo de Jesus torna-se o novo Éden, Jesus torna-se o novo Adão. A cruz torna-se chave que abre o ‘portão’ do céu.
As esperanças esvaídas. Para o túmulo se leva o corpo morto daqueles que morreram, que temos a certeza nunca mais voltaram aqui nesta vida. O corpo não mais lhes serve. Esperanças temos de vida eterna, nos céus. Jesus nos surpreende, faz de seu túmulo, lugar de comum podridão e falta de esperança, útero que gera a vida e supera toda e qualquer expectativa. O tumulo não encerra a vida.
Jesus morto e sepultado permanece vivo na esperança que sua Mãe guarda em silencio no seu coração. Tudo lhe era conhecido. A Mãe conhece o filho que tem. Suprimida de dor enterra o corpo morto de seu filho, mas conserva viva a esperança do terceiro dia.
Em Jesus ganhamos uma certeza, nem tudo que vai para o túmulo está perdido, nem tudo que por todos está desenganado não pode recuperar-se. A vida não pode ser encarcerada dentro de quatro paredes.
Daí-nos Senhor a graça de esperarmos donde não se vê esperança, amar onde não há amor, confiar onde só há dúvidas, doar onde só há cobranças, silenciar onde só há barulho.

quinta-feira, 20 de março de 2014

FORMAÇÃO DE VIDA RELIGIOSA



Na última segunda-feira, dia 17 de Março, tivemos um encontro com o Pe. Rafael Tadeu, CR sobre a vida comunitária. Ele fez a leitura de um texto do Papa Francisco que discutia a situação da formação nos dias atuais. A partir deste texto fizemos um momento de partilha.
Logo mais, realizamos uma dinâmica em que procurávamos em algumas frases questionamentos, lições de vida e uma imagem concreta do que refletimos. Foi um momento propício para reflexão e estudo, que só tem a contribuir parab a nossa caminhada.
Á tarde Pe. Rafael celebrou a Santa Missa na capela do seminário.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus é decido da cruz


Estava tudo consumado. O céu e a terra, toda a criação estavam envoltos de um terrível silêncio. Silêncio de dor. O silêncio do Pai preenche se espalha pela terra. Não era um silêncio comum, era divino.
Descem Jesus da cruz e o depõe sobre o colo acolhedoir da Mãe. Ela o carrega da mesma forma que fez no nascimento do menino. A dor de uma mãe que carrega o corpo flagelado e morto do seu próprio filho. Maria ainda teve forças de fazê-lo. permanece firme, mas sua dor é imensa. Vemos a Senhora das Dores com a espada transpassada em seu peito, desolada.
Mas permanece firme nos caminhos do Senhor, não se revolta por conta dos terríveis sofrimentos. Perdera seu filho para as injustiças, mas sabia em seu coração que não era o fim, não tinha acabado ali o plano de Deus. Neste momento de grande dor só restava a fé, confiança e esperança em Deus que tanto a agraciou.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus morre na Cruz

 
Caríssimos e amados irmãos em Cristo,
    Vivendo esse tempo da quaresma, somos convocados a mergulharmos intensamente numa liturgia, que nos remete a uma verdadeira mudança de vida. Uma conversão de corpo e de alma.
    Hoje contemplamos a 12º estação Jesus morre na cruz. " Jesus deu um forte grito: Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito."  A partir daqui podemos já nos questionar:  Por que matariam o filho de Deus? O que fizera Jesus? Quais seriam os motivos para matá-lo?
   Amados,  muitos questionamentos muitas vezes não terão resposta, pelas próprias injustiças que o mundo e os valores nos pregam. O sofrimente é nítido nessas injustiças. Sofremos com Jesus. 
    Jesus passou pelo calvário da indifrença, da injustiça e da falta de amor daqueles que estavam sujeitos somente a uma lei, Julgar. Isso ainda  continua vivo em nossa sociedade. O julgamento, a indiferença, a falta de amor e ainda mais a injustiça. Muitos que são traficados e escrevizados, perdem  vida antes do tempo, como Jesus. Pela falta de conciência que a morte de um justo Não passará despercebida diante de Deus.  Que mesmo não devendo nada, vivendo livres, torna-se vítimas e prisioneiros de um sistema traiçoeiro, que rouba e destroe a dignidade humana.
    Filhos queridos, chegou o tempo de ROMPERMOS com as correntes e algemas que nos escravizam! De gritarmos para o MUNDO que o AMOR vence qualquer escravidão! De comprometermo-nos com a VIDA e a dignidade do OUTRO!
Chegou o tempo de vivermos a LIBERDADE de Filhos de Deus!
O DEUS LIBERTADOR! 
Roquemos a Deus, que neste propicio tempo, aprendamos a amar mais as pessoas,  a valorizá-las mais. Que a vida seja sinal e motivo de alegria e celebração,e que juntos possamos vencer toda e qualquer escravidão em nosso coração, na meta de construirmos uma sociedade mais justa e amorosa.


Sem. Christian M. Cintra

segunda-feira, 17 de março de 2014

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus é pregado na cruz


Segundo os relatos evangélicos por volta do meio-dia, Jesus, aquele considerado por muitos o Cristo, é pregado na cruz. O filho de Deus entrega-se completamente nas mãos do Pai. Neste momento finda-se o que se tornará um dos maiores acontecimentos da história da humanidade, mas também o ato que gerou o sacrifício entregue de toda a humanidade perante Deus.
Dois atos intimamente ligados podem ser apresentados neste acontecimento. Entrega e amor!
Jesus é, segundo a fé, o maior exemplo daquele que se entregou a vontade divina e por consequência a prova real daquele que ama.
Entregar-se a Divina providência deve gerar em nós as bases para a construção contínua do amor gratuito.

Michael Rocha.

domingo, 16 de março de 2014

DÉCIMA ESTAÇÃO

Jesus é despojado de suas vestes

Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos;
Porque pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!
Nesta meditação sobre as dores de Jesus até o Calvário contemplamos e quase vislumbramos o que os quatro Evangelhos nos apontam: “Os soldados repartiram entre si as vestes de Jesus” depois de O terem despido (cf. Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,34b e Jo 19,23)
Assim como despiram Jesus e lançaram sorte sobre a sua túnica, ainda hoje, muitos tiram a sorte sobre a vida, o corpo, os órgãos, a dignidade e a liberdade de nossos irmãos e irmãs. Ainda hoje Cristo sofre nos corpos e na dignidade de filhos e filhas de Deus que foram enganados e forçados as mais diversas e atrozes atitudes para permanecerem vivos. E nós, como reagimos diante desta situação que nos lança a cara uma realidade que não pode permanecer impune! Se nos dizemos cristãos, devemos ter atitudes que o próprio Cristo teria, devemos nos perguntar a cada instante se Ele se calaria diante de uma injustiça, diante de uma situação de miséria e de rebaixamento  daqueles que são o objeto do amor do Pai. Ó Jesus, abri os nossos olhos para que possamos ir ao encontro do nosso próximo e tampar a sua nudez, seja ela qual for e que jamais nos calemos diante daquelas situações em por um lucro ou um prazer, tiram a sorte sobre o vosso corpo chagado e maltratado naqueles que gritam por ajuda. Amém!

João Amaro

sexta-feira, 14 de março de 2014

NONA ESTAÇÃO

·         Jesus cai pela terceira vez

NONA ESTAÇÃO! Confira a VIA SACRA no BLOG http://seminariosaocaetano.blogspot.com.br/

“Fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador.” (Is 53, 6b-7)
Nesta estação contemplamos Jesus que, fatigado pelo peso de sua cruz, esgotado pelos inúmeros escárnios, humilhado pelas incontáveis palavras de desprezo, falseia os pés e cai ao chão. Esta parte de sua subida dolorosa rumo ao monte Gólgota não é contado em nenhum dos evangelhos, contudo podemos observar a intenção do autor da Via Sacra em narrá-la. Jesus como homem que era, sofreu as dores e os cansaços pertinentes a alguém que fosse chicoteado, flagelado, maltratado e que tivesse que carregar o instrumento principal de sua morte, a cruz.
Jesus passa por todos os sofrimentos que um homem, exposto a tais circunstancias, sentiria. Mas n’Ele observamos uma diferença, e é neste ponto que, creio eu, o autor quer nos apontar, Jesus permaneceu em silêncio. Poderia estar reclamando desde o início, quando foi preso no Getsemani, poderia tentar fugir quando estava preso no porão do palácio de Pilatos, poderia jogar a cruz de lado e negar-se a carrega-la, poderia, caído ao chão, por aí mesmo ficar, mas Jesus levanta-se, e por três vezes.
Para o Judeu o tempo de três dias significa que não há mais jeito, que não há volta. A vida pública de Jesus vemos o número três na quantia de vezes que Pedro o nega e a quantia de vezes que jesus interroga Pedro a respeito de seu amor. Na via sacra podemos tomar o número três com a seguinte interpretação, quando não havia mais esperança, afinal Jesus já havia caído duas outras vezes, cansado e quase esgotado pelo cansaço e pela dor dos ferimentos, ele cai uma vez mais, mas levanta-se. Empunha a cruz e segue o caminho, não desiste.

Jesus, bom e amável mestre, ensinai-nos a não desanimar em nossos tropeços e quedas. Ensinai-nos pela vossa Graça, a caminharmos sempre, rumo a Deus que nos chama, carregando nossa cruz sem murmurar nem voltar atrás.

Pedro G. Moreira

quinta-feira, 13 de março de 2014

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus consola as mulheres de Jerusalém
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No caminho até o Calvário algumas mulheres chorama por ele. Ele diz: Não chorais por mim, mas por vós mesma e por seus filhos. Ele com seu jeito todo especial consola aquelas que se entristecem com o seu sofrimento. Assim, ele também é consolo daquelas mães que sofrem pela prisão dos filhos, do sumiço (por conta do tráfico de pessoas) e muitas outras situações.
nós devemos nos dias de hoje ser canal para Ele console os aflitos e oprimidos. Devemos ser causa de consolo para o próximo que sofre uma situação descoinfortável. Aprendamos mais uma vez com o exemplo de Jesus.

SÉTIMA ESTAÇÃO

Jesus cai pela segunda vez

Sexta estação! Confira a Via Sacra no Blog http://seminariosaocaetano.blogspot.com.br/

 Jesus dá o maior exemplo de perseverança que poderíamos ter: permaneceu em seu caminho mesmo sem quase ter forças, caindo pela estrada. Permanece com os planos do Pai mesmo com tamanha dor e dificuldade. A dor consome suas energias, esmaga seus ossos. Fraqueja de exausto e cai por terra esta segunda vez.
Não desiste. Implora a força do Pai e se levanta, muito enfraquecido, porém convicto.
é esta mesma força de Deus que devemos suplicar, para que consigamos permanecer na fidelidade a Cristo, que foi fiel até o fim.

terça-feira, 11 de março de 2014

A Casa Teatina

                                               


 Desde o início os Clérigos Regulares chamaram de casa seus conventos. A casa acaba por ser um símbolo do novo modo de vida que se propõem os fundadores, isto é, ela é o lugar da prática da vida apostólica dentro de uma comunidade, era ali o local onde se realizava o desejo de “habitar juntos em uma casa vivendo em comum e do comum”.
 De fato, a casa teatina é um porto seguro para seus integrantes. Este termo exprime o espírito do teatino, que não é menos que uma família peculiar à luz da comunidade dos primeiros tempos cristãos. O laço que une os integrantes da ‘família teatina’ é mais forte que o laço do sangue, é o laço da irmandade em Jesus, isto é, o que eles possuem em comum não é simplesmente consanguinidade, mas sim um desejo comum de seguir a Cristo.
 Esta é uma das características mais singulares desta Congregação, mas que por conta da modernidade se faz ‘esquecida’ nas páginas de sua história. Com a perda da noção da dita ‘teologia da casa’ perde-se uma das rochas que sustentam este carisma, que é experienciado dentro da casa, ou seja, é ali que se dá a movimentação da espiritualidade, do carisma, bem como sua renovação.
 Deste modo, “se não queremos que a nossa espiritualidade própria se esvazie de conteúdo, ‘temos que voltar à casa’.” (Duc in Altum, II/20-In Domo Habitantes, p.3). Podemos dizer que o abandono da casa, implica, de certo modo, a um abandono do próprio espírito teatino. Sendo redundante, a perda da consciência do lugar religioso ocorre em um “esvaziamento de nossa espiritualidade própria”, nada mais que um contínuo vazamento da vivacidade da Ordem.
 A atualidade colaborou em muito com a desestruturação da família e casa moderna, isto atingiu também o campo religioso e ,por conseguinte, os teatinos. Cabe, portanto, evocar ao espírito mais primitivo desta espiritualidade, que é a ‘reforma’ dos costumes incoerentes, seja a época que for. É mister salientar que a ideia de reforma não se prende ao século XVI, como é recorrente  pensar, mas esta reforma está para além de determinada época, visto que a própria espiritualidade teatina é dinâmica e se adapta ao tempo em que se encontra presente. Ou seja, não se trata somente de reformar os costumes incoerentes do clero, mas como também os da sociedade.


                                                                                                                            Pedro G. Moreira

SEXTA ESTAÇÃO

Verônica enxuga o rosto de Jesus

 Sexta estação! Acompanhem a VIA SACRA diariamente no Blog http://seminariosaocaetano.blogspot.com.br/

Durante a trajetória rumo ao calvário Jesus se encontrou com sua mãe, recebeu ajuda de Simão de Cirene.  Hoje somos convidados a meditar o ato de Verônica, simples mulher, que ao o suor da face divina, tingida de sangue, corre ao seu encontro.
Com um simples pano enxuga a sagrada face e no pano fica gravado a face que ainda hoje nos olha com compaixão.
Hoje somos convidados a enxugar a face dolorosa, não somente dos que se encontram a mercê da sociedade, mas também dos grandes deste mundo, que vivem trancafiados dentro de suas mazelas.
Que possamos ser sinal de luz na vida do próximo e ir ao seu encontro em prontidão, sensibilizados pela dor dele, e que mais do que num pano, que grave em nossos corações a face de Cristo no semblante do nosso irmão.


Maycon Costa

segunda-feira, 10 de março de 2014

Manhã de Oração Vocacional


MANHÃ DE ORAÇÃO VOCACIONAL


Três jovem vieram fazer parte da “Manhã de Oração Vocacional”, que se realizou  no dia 9 de Março de 2014, aqui no Seminário São Caetano. Nosso encontro de oração  Vocacional teve inicio às 8hs da manhã e terminou às 12hs com o almoço.
  A primeira atividade foi a oração na capela, na qual rezamos o santo evangelho de São Mateus 9,9-13. Depois assistimos a um vídeo sobre a história dos teatinos.  O seminarista Luiz falou sobre os teatinos e quem somos, foi um tempo bem agradável de conversa. Logo mais o seminarista João Vitor falou dos santos teatinos, falou de são Caetano e do venerável Francisco Olímpio. 
 Os participantes puderam ter um tempo de discernimento e convivência conosco; convivemos como verdadeiros irmãos.
 Portanto, interpretado de dois modos, dependendo de como entendermos a palavra irmão. Entendida num sentido genérico designará qualquer homem. Neste caso a exortação se refere a todos os homens: Jesus está presente em qualquer faminto, sedento, forasteiro, sem roupa, enfermo ou encarcerado. Entendido num sentido mais restrito, a palavra irmão designaria os membros da comunidade cristã e, portanto, a exortação se refere somente aos cristãos famintos, sedentos…. Mas, talvez as duas interpretações não sejam excludentes.
  Mateus convida sua comunidade a recriar a solidariedade recíproca que deve reinar na nova família convocada por Jesus. A exortação das parábolas precedentes a estarem vigilantes e atentos adquire uma grande força à luz deste relato final. Estar vigilantes e preparados consiste principalmente em viver segundo o mandamento do amor.

  
Ederson de Oliveira